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Jornada do Estudante: o app do MEC usado no Brasil inteiro
Três anos no ecossistema do app do Ministério da Educação, desenhado no Laboratório Bridge. Formulário do Pé-de-Meia com auto-save, telas dedicadas por estado de elegibilidade e 277 violações WCAG mapeadas no TCC.
UX/UI Designer · 2022-2025
- usuários na plataforma do MEC
- 14M
- nota na App Store (11 mil avaliações)
- 4.6
- violações WCAG mapeadas (TCC)
- 277




- 14 milhões de usuários na plataforma Jornada do Estudante (MEC)
- Nota 4,6 na App Store, com mais de 11 mil avaliações
- TCC: 277 violações WCAG nível AA mapeadas (75 críticas)
En el App Store
- Valorado 4,6 de 5, 11,2 mil valoraciones
- EdadALAños
- Número 9 en Educación
- Desarrollado por Servicos e Informacoes do Brasil
- Idioma: Inglés
Datos del App Store de Brasil al 29 jul 2026. App Store es una marca de Apple Inc.
3 anos dentro de uma plataforma nacional de educação
Estudantes de todo o Brasil dependem de um formulário para receber sua bolsa. Erre o auto-save por um campo e o estudante perde meses de progresso. Redesenhei esse formulário para nunca mais falhar silenciosamente.
Escopo: UX/UI Designer em um ecossistema de dezenas de colaboradores, trabalhando em paralelo em 4 arquivos Figma distintos (app mobile em escala nacional, sistema admin web, Bold DS e DSGov styleguide) e em pesquisa de acessibilidade. Colaborei com PMs, 2 squads de engenharia e stakeholders do governo federal (MEC).
Escopo de decisão: Autonomia nas decisões de design e arquitetura de informação do meu escopo. Para mudanças que afetavam múltiplas squads (como o fluxograma de navegação), conversei com os PMs antes de implementar. As descobertas da auditoria de acessibilidade foram compartilhadas com o time e viraram material de referência interno.
Timeline: 3 anos (Jul 2022 - Jul 2025). Os trabalhos mais densos (formulário de matrícula, Pé-de-Meia, acessibilidade) aconteceram em ciclos de 2-4 sprints com validação contínua via Firebase Analytics.
Resultado principal: Redesenho do formulário de matrícula com salvamento incremental, TCC com auditoria comparativa de acessibilidade (277 violações WCAG nível AA, 75 críticas) e contribuição para um Bold DS mais consistente entre app, web e operação interna.
App, web e três públicos com necessidades diferentes
O Laboratório Bridge (UFSC/CTC) conecta governo e cidadão por meio de tecnologia. O produto principal é a Jornada do Estudante (JE): app do MEC usado por estudantes em todo o Brasil.
O app serve como identidade estudantil digital, acompanhamento de matrícula, portal do programa Pé-de-Meia e hub de serviços do MEC. O sistema administrativo web permite que gestores do MEC e secretarias estaduais gerenciem credenciamento, notificações, banners, conteúdo e auditorias.
Para sair do desenho abstrato e entender a operação real do programa, cruzei Hotjar, Firebase, painéis do Metabase, tickets de suporte e entrevistas com stakeholders. Estruturei esse material em três personas-chave: Janaína (coordenação de projetos e acompanhamento transversal), Silmara (decisão executiva com urgência política) e Rafael (perfil operacional jovem, ideal para tarefas táticas com alta familiaridade digital). Esse recorte deixou claro que o ecossistema não precisava funcionar só para estudantes: precisava também comunicar status, risco e próximo passo para quem sustenta o programa por trás dos bastidores.
Plataforma nacional de educação do MEC, em todo o Brasil
O Problema do Formulário
O fluxo de matrícula do programa Pé-de-Meia tinha taxa de completude preocupante. O público-alvo, estudantes de escola pública, usa celulares de entrada com conexões móveis instáveis. O PM trouxe dados do Firebase: 35% dos usuários abandonavam no meio do formulário.
Primeira tentativa (falha): Consolidei 6 etapas em uma página única. Lógica: menos telas = menos atrito. Resultado: a taxa de abandono subiu 15%. Sessões no Firebase Crashlytics mostraram que conexões caindo causavam perda de todo o progresso preenchido. Sobrecarga cognitiva + rede instável = pior cenário.
Segunda tentativa (sucesso): Stepper modular com 5 passos, cada um salvável independentemente no backend. Auto-save a cada campo. Se a conexão cair no passo 3, o usuário retoma do passo 3.
Medição qualitativa: A completude do formulário subiu de forma consistente nos relatórios do time de dados após o deploy do stepper com auto-save, em comparação com a linha de base anterior. O recorte numérico exato é de posse do Bridge e não foi publicado.
Aprendizado compartilhado: Usei o erro inicial como base para uma conversa com o squad de eng sobre degradação graciosa em conexões instáveis. O guia de autosave incremental que nasceu desse trabalho virou referência para formulários subsequentes no produto.
Página única: abandono maior. Stepper auto-save: melhoria expressiva em completude.
Doze cenários para uma mesma jornada
O módulo mais sensível do app reúne dados pessoais, fotos e dependentes. Pessoas em contextos muito diferentes precisam completar o mesmo fluxo com clareza.
Mapeei 12 cenários com a PO do squad, desde o caminho esperado até casos que exigem tratamento próprio:
- Estudante sem/com dependentes (interfaces bifurcadas no mesmo fluxo) - Informações nulas no INEP (campos vazios vindos do governo; precisam de fallback visual claro) - Card com 4+ linhas de nome (nomes compostos longos são comuns) - Nome preferencial vs. nome completo oculto (privacidade de menores, exigência legal) - Troca/exclusão de foto com confirmação destrutiva - 6 cenários de erro mapeados com recovery actions
Em gov-tech de escala nacional, um caso pouco frequente ainda representa uma pessoa real tentando acessar um serviço público. Cada estado precisa de uma resposta compreensível.
"Não entendo meu status": o maior volume de chamados
O problema: Uma parte significativa dos chamados do helpdesk era "não entendo meu status de elegibilidade". Mapeei 8+ estados possíveis de elegibilidade, 6 com ambiguidade real (elegibilidade condicional por frequência escolar, matrícula ativa, dados cadastrais, múltiplas matrículas simultâneas, parcelas com status diferentes).
Decisão que defendi: O PM considerava uma tela genérica com mensagens dinâmicas. Argumentei com os dados de suporte: ambiguidade nessa escala não é tolerável. Propus telas dedicadas por estado, cada uma com copy específica e ação clara: "elegível com pendências", "sem pendências", "erro no envio de dados", "informações não identificadas". Validei cada copy com o PM do MEC via field testing.
Além da experiência dentro do app, desenhei materiais de comunicação, telas detalhadas de parcelas e uma superfície web responsiva para acompanhamento pelo navegador. Isso ajudou a manter a marca do MEC e do Pé-de-Meia visível em todos os pontos de contato, sem trocar clareza por propaganda.
Resultado qualitativo: Após o deploy, o time de suporte reportou redução perceptível nas dúvidas sobre elegibilidade. Não houve A/B test formal, mas o padrão de tickets na categoria diminuiu.
Telas dedicadas por estado de elegibilidade reduziram dúvidas no helpdesk.
12 módulos, 1 padrão
12+ módulos para gestores do MEC e secretarias estaduais. Junto com o tech lead, adotamos um padrão consistente: lista com filtros, formulário de criação/edição, indicadores de status por cor, trilha de navegação e paginação. Aplicamos o mesmo padrão em todos os módulos; gestores que aprendem um já sabem usar todos.
O NPS embutido (modal com escala de emoji + texto livre) foi minha proposta ao PM para coletar feedback in-app dos gestores públicos. Dados coletados alimentavam a priorização de backlog.
Também desenhei do zero a porta de entrada da versão web do ecossistema Jornada do Estudante: login, experiência responsiva no navegador e superfícies de acompanhamento do Pé-de-Meia fora do app. O objetivo era ampliar acesso sem perder coerência com DSGov, com a identidade do MEC e com o restante do produto. Quando o stakeholder é o Ministério da Educação, consistência visual é requisito institucional, não detalhe estético.
Acessibilidade: TCC e Auditoria WCAG
Meu TCC em Ciência da Computação (nota 10, UFSC) foi uma auditoria comparativa de acessibilidade entre o Bold DS e o DSGov. Não foi um exercício acadêmico isolado; as descobertas impactaram diretamente o produto.
Metodologia: Auditei os dois sistemas com o mesmo procedimento: 3 ferramentas automatizadas (Lighthouse, Axe Core, WAVE), inspeção heurística WAI-ARIA e checklist eMAG, em 8 categorias de verificação idênticas por sistema (análise comparativa: Bold DS vs. DSGov). Encontrei 277 violações WCAG nível AA (75 críticas, 187 sérias, 12 moderadas e 3 leves), desde contraste insuficiente até falhas de estrutura ARIA e navegação por teclado. Essas restrições forçaram uma hierarquia visual mais clara e estados mais explícitos, o que acabou beneficiando a compreensão para todos os usuários, independentemente de deficiências.
Impacto: Apresentei os resultados ao supervisor do Bridge e ao time de DS. Parte das violações críticas encontradas no Bold foi priorizada para correção em sprints seguintes. As descobertas no DSGov viraram material de referência interna. O TCC foi publicado e virou referência para decisões de acessibilidade no laboratório.
O Bold é o DS open-source mantido no Bridge, com componentes documentados, regras de quando NÃO usar, playground interativo e guia de estados.
Compartilhamento: O TCC não foi um exercício isolado: as descobertas viraram conversa com o time de design e eng sobre padrões WCAG.
277 violações WCAG nível AA mapeadas (75 críticas, 187 sérias). TCC nota 10.
O artefato que 4 squads consultavam todo dia
O DSGov é o DS do governo federal, obrigatório para gov-tech. Criei um styleguide adaptado porque os componentes oficiais tinham inconsistências entre documentação e implementação. O styleguide cobre: cores (primary blue scale, backgrounds, grey scale, feedback), tipografia com escala para grids de 8 e 12 colunas, e componentes customizados dentro das regras do DS.
Também criei o fluxograma de navegação completo do app: Login → Onboarding → Home (8 seções: Perfil, Jornada, Documentos, Pé-de-Meia, Notificações, Serviços, Avaliar Apps, Configurações). Com várias squads trabalhando em paralelo no ecossistema Bridge, esse mapa visual virou um artefato de alinhamento consultado por PMs e devs antes de iniciar features.
O que a pesquisa revelou
“O formulário de página única teve mais abandono que o fluxo anterior.”
Insight: Formulários longos sem salvar progresso geravam ansiedade, especialmente para públicos com baixa literacia digital.
Decisión: Implementamos um stepper com auto-save e a completude voltou a crescer.
Impacto além da tela
Trabalhei por 3 anos no Laboratório Bridge como UX/UI Designer, contribuindo para o ecossistema Jornada do Estudante (MEC) e conduzindo o TCC de auditoria comparativa de acessibilidade entre Bold DS e DSGov (277 violações WCAG nível AA mapeadas, 75 críticas). Aprendizado central: em gov-tech com milhões de usuários, cada decisão de design toca política pública, e conquistar adoção vem mais de evidência compartilhada com colegas do que de posição.
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