
Multidrop - Plataforma de Vendas B2B2C
Lead Product Designer
Como único designer de produto em uma startup alemã, trabalhei no redesign de ativação entre setembro de 2024 e agosto de 2025. Nesse período, o abandono do onboarding caiu de 50% para 25% e a base cresceu de 0 para 100 clientes pagantes.
50%→25%
abandono no onboarding
0→100
clientes pagantes
€14M
vendas no primeiro ano
- €14M em vendas no primeiro ano após o redesign de ativação
- Abandono no onboarding: 50% → 25% (n=3,1 mil, 30 dias)
- 0 → 100 clientes pagantes
Marketing trazia o lead. UX perdia a venda.
A Multidrop investia pesado em marketing e anúncios para atrair criadores de infoprodutos. Os usuários chegavam, criavam conta, e travavam antes da primeira ação que gera receita: criar o primeiro produto e o link de venda, ou se afiliar a um produto para começar a promover.
Sem essa primeira ação, não rodava a máquina de dinheiro. Ad spend virava custo afundado.
O produto estava tecnicamente pronto há anos. O gargalo era experiência. Reestruturei a arquitetura de persona, reescrevi o onboarding depois de uma primeira tentativa que falhou, e transformei reembolso em inteligência de produto ao invés de compliance.
Escopo: Fui o único designer de produto e atuei como Lead Product Designer.
Autoridade de decisão: Propus arquitetura de produto, defini priorização com o squad, e conduzi experimentos de validação. Nas decisões estruturais, apresentei evidência ao CEO antes da implementação.
Período: set/2024 a ago/2025.
Resultado estrutural: €14 milhões em vendas no primeiro ano após o redesign de ativação, com abandono do onboarding caindo de 50% para 25% e a base crescendo de 0 para 100 clientes pagantes.
50% de abandono antes da primeira ação de receita. Amostra: n=3,1 mil, 30 dias.
O problema real: dois personas, um dashboard
Como achei o gargalo: montei o funil no Mixpanel, do cadastro até a primeira ação geradora de receita. A amostra canônica reúne 3,1 mil novos cadastros em uma janela de 30 dias. O abandono era de 50% antes da primeira ação.
Cruzei com sessões gravadas no Hotjar. O padrão era claro: usuário caía em dashboard vazio, clicava duas ou três vezes sem resultado, saía. Estava vendo métrica do outro persona, não entendia onde começar.
Conversei com usuários que abandonaram e organizei os relatos por tema. A dor não era UI. Era cognição.
O produto servia dois personas completamente distintos. O Produtor quer criar produtos, configurar checkout, gerenciar afiliados e analisar faturamento. O Afiliado quer encontrar produtos para promover, acompanhar comissões e visualizar desempenho. O dashboard tratava ambos como o mesmo usuário, mostrando métricas erradas para cada lado. Resultado: nenhum dos dois chegava à primeira ação de receita.
O CEO queria dois produtos separados. Defendi um único produto com dois contextos para preservar componentes compartilhados e evitar fragmentar a base.
Demo interativo - clique e passe o cursor
A análise de reuso mostrou que um produto com contextos distintos era mais coerente do que duplicar a base.
Um produto, dois contextos: a decisão que defendi contra o CEO
Havia alternativas diferentes para a arquitetura.
Alternativa A (pedida pelo CEO): dois produtos separados. Dobra custo de código, fragmenta base, fragmenta marca.
Alternativa B: manter produto único como estava. Continua com 50% de abandono.
Alternativa C (minha proposta): um produto com dois contextos. Componentes compartilhados, toggle explícito entre Produtor e Afiliado, navegação e métrica calibradas por contexto.
Como defendi a proposta: montei no Figma uma análise de reuso com variantes componentizadas. Não eram dois aplicativos independentes, mas um produto com contextos diferentes.
A engenharia resistiu no início: "é como manter dois apps." Apresentei a arquitetura de componentes compartilhados com alternância de contexto, protótipo navegável com variantes, análise de código hipotética. O lead de front-end aprovou depois de revisar.
Para o Produtor: foco em faturamento bruto, origem da receita (direta vs. afiliados), progressão temporal, tabela de vendas por produto e afiliado.
Para o Afiliado: foco em comissões totais, saldo pendente, próximo pagamento, cliques e conversões.
Esta é a decisão estrutural do case. A proposta preservou a base compartilhada e abriu caminho para o redesign do onboarding.
Demo interativo - clique e passe o cursor
A função não mudou. A posição e a etiqueta explícita mudaram a descoberta.
Onde colocar o seletor de contexto
Decidida a arquitetura dual persona, a pergunta seguinte era prática: onde colocar o toggle que alterna contexto.
Primeira iteração: dropdown nas configurações. Nos testes de descoberta, o controle ficou escondido e os usuários operavam no contexto errado.
Segunda iteração: toggle visível no cabeçalho, com uma etiqueta explícita para a troca de contexto. A mudança tornou o controle encontrável nos testes.
Parece detalhe pequeno. Não é. O toggle é a porta do produto: onde você coloca o seletor de contexto determina se o usuário consegue operar, e consequentemente se fica ou abandona. É o mesmo princípio que define onde você coloca o seletor de conta, de cliente, ou de visão em qualquer dashboard operacional complexo.
Demo interativo - clique e passe o cursor
Progress ring: abandono de 50% para 25% (n=3,1 mil, 30 dias).
Falhei com tour guiado. Acertei com o próprio dashboard.
A primeira tentativa de onboarding foi um tour guiado com tooltips. As sessões gravadas mostraram que o formato ensinava funções, mas não respondia ao que o usuário deveria fazer primeiro.
Falhou porque ensinava features sem resolver a ansiedade real: "o que eu faço primeiro". Usuário novo não quer tutorial. Quer saber se vale a pena investir tempo no produto.
A iteração que funcionou: transformar o próprio dashboard no tutorial. O widget "Primeiros Passos" com progress ring começando em 0% não é tutorial, é lista de conquistas desbloqueáveis. Cada passo salva estado no servidor, conexão instável não apaga progresso.
O mesmo sistema passou a apresentar tarefas calibradas pelo contexto do usuário.
Medição: comparei a taxa de conclusão em uma janela de 30 dias, com 3,1 mil novos cadastros no Mixpanel. O abandono caiu de 50% para 25%, uma redução de 25 pontos percentuais.
Aprendizado que levo para qualquer produto: onboarding não é tutorial. É produto sendo seu próprio professor, com progresso visível e conquistas desbloqueáveis no lugar de instruções.
Demo interativo - clique e passe o cursor
Motivos específicos transformaram uma categoria genérica em sinal de produto.
Reembolso como inteligência de produto, não compliance
A decisão mais transferível para domínios financeiros regulados.
A maioria dos sistemas trata reembolso como compliance: formulário genérico com "Outro" como escape, projetado para evitar chargeback e nada mais. Compliance, não inteligência.
Propus tratar reembolso como dado de produto, não só categoria legal, com motivos específicos do domínio.
O histórico mostrava que a categoria genérica "Outro" não explicava por que as pessoas pediam reembolso.
Depois do redesign, cada reembolso passou a alimentar um painel de qualidade e a funcionar como pesquisa de saída.
Paralelo direto com produto financeiro: em banco você tem dispute, chargeback, cancelamento de seguro, saque antecipado de investimento. Tratar esses eventos como compliance gera formulário. Tratar como sinal de produto gera inteligência. A mesma decisão arquitetural se aplica, com impacto ainda maior em receita e NPS.
Demo interativo - clique e passe o cursor
Design system e protótipos em código reduziram decisões repetidas antes do refinamento.
Design system + AI: precondição de escala, não entrega final
Dois pilares paralelos que sustentaram todas as decisões acima.
Design system do zero. Tokens de cor, espaçamento, tipografia e grid, com governança compartilhada entre design e engenharia.
Isso foi precondição da arquitetura dual persona. Sem o sistema, o produto compartilhado teria se fragmentado.
IA no fluxo interno de design. Usei Cursor e Claude Code para prototipar e validar hipóteses antes do refinamento final.
O princípio que levo para qualquer contexto, incluindo design systems corporativos maduros: DS não é entrega, é precondição. Tokens centralizados, governança clara, e AI como acelerador de validação são o que permitem squads entregarem em paralelo sem comer consistência.
Demo interativo - clique e passe o cursor
O que a pesquisa revelou
“As conversas de saída mostraram que o dashboard tratava contextos diferentes como se fossem iguais.”
Insight: O problema não era UI. Era que o produto atendia dois públicos com necessidades opostas (criar vs. promover) sem distinguir contexto, mostrando métrica errada para cada um.
Decisão: Um produto, dois contextos, com seletor explícito e componentes compartilhados.
Impacto além da tela
Como único designer de produto e Lead Product Designer, levei evidência ao CEO para defender um produto com contextos distintos em vez de duas bases separadas.
Tecnologias Utilizadas
“Thiago is an exceptional professional! Super competent, proactive, and creative. I had the pleasure of working with him at two companies, and in both I could see his maximum commitment to the Product. Any team is lucky to have him.”
Tem interesse em trabalhar comigo?
Desenho experiências de produto em contextos de escala real. Designer desde 2019, em product design desde 2021, passando por startups, scale-ups e produtos públicos. Gosto de interfaces acessíveis, bem resolvidas e com impacto real no negócio.