Lições Aprendidas

O que falhou, o que mudou e o que permaneceu.

Um registro contínuo de decisões que amadureceram meu pensamento de produto depois de darem errado pela primeira vez.

PariPassuProduct Designerjun 2025 - nov 2025

Propor amplo, entregar enxuto

O Problema

Na PariPassu, atuando como uma das duas designers em dois produtos, propus um conjunto de componentes novos maior do que o time precisava, tentando antecipar edge cases entre Rastreador e CliCQ. Em poucas semanas ficou claro que parte das variantes nunca era usada. Adicionavam carga cognitiva sem retorno real, e a sensação de inchaço atrasava a adoção.

O Que Tentei

Minha abordagem foi completista: 'Vamos antecipar todos os casos e construir tudo de uma vez.' Mapeei vários estados de botão, variantes de card, tipos de input e edge cases com base em exercícios de design thinking, templates anteriores e padrões de DS maduros de empresas maiores.

Por Que Falhou

A premissa estava errada. A PariPassu era uma foodtech ágil servindo rastreabilidade e inspeção de qualidade. As necessidades reais de curto prazo eram uma fração do que eu havia desenhado. 'Devo usar CardStandard, CardCompact ou CardMinimal?' Sem resolver problemas reais, eu estava desenhando para futuros hipotéticos em vez de validar demanda atual.

A Lição

Design systems crescem com o produto, não na frente dele. Os melhores DS que vi em empresas maiores (Bridge, Multidrop) não saíram completos no dia 1; começaram enxutos e escalaram conforme padrões surgiam no uso real. Ficar enxuto significava: (1) engenharia entendia cada componente porque usava todos. (2) Iterávamos mais rápido, menos decisões, PRs mais rápidos. (3) Quando padrões novos surgiam, eram adicionados de forma deliberada.

O Resultado

Junto com a outra designer, podei a proposta para os componentes que o time realmente usava, mantive documentação focada neles e fiz pareamento com devs para ajustar tokens. A poda colaborativa facilitou a adoção e fez com que componentes novos fossem adicionados só quando o uso real exigia.

Impacto

Handoff design-engenharia mais rápido, menos paralisia de decisão e um sistema que refletia como o produto estava sendo construído, não como eu achava que deveria ser.

Laboratório Bridge (MEC)UX/UI Designerjul 2022 - jul 2025

Projetar para 14M de usuários quando você não pode mudar as regras

O Problema

No Bridge, herdei uma restrição dura: o app Jornada do Estudante precisava usar o design system federal DSGov exatamente como ele era. O problema é que o DSGov tinha falhas sérias de acessibilidade, o que bloqueava a conformidade WCAG para milhões de estudantes.

O Que Tentei

Comecei pelo caminho oficial. Documentei as falhas com auditorias, testes automatizados e validação manual com leitores de tela, e levei tudo para os stakeholders do MEC pedindo permissão para sobrescrever componentes específicos.

Por Que Falhou

A escalada não mudou nada. Acessibilidade não era tratada como urgente o suficiente para justificar mudanças no sistema obrigatório, então depender de aprovação institucional só prolongaria o problema para os usuários.

A Virada

Antes

Falha em 8+ critérios WCAG 2.1 AA por limitações do DSGov

Depois

Aprovado em WCAG 2.1 AA nos cenários testados, 0% de desvio visual da especificação

A Lição

Quando você não pode mudar o sistema, você muda a implementação. Trabalhei com engenharia em HTML semântico, labels ARIA e gestão de foco para manter a interface visualmente fiel ao DSGov, mas funcionalmente acessível.

O Resultado

O app saiu de uma situação de reprovação em critérios WCAG 2.1 AA para aprovação, mantendo fidelidade visual total ao DSGov. Esse atrito depois virou a base da minha pesquisa publicada sobre acessibilidade.

Impacto

Hoje, 14M de estudantes usam um app mais acessível, e o trabalho provou que restrições de acessibilidade podem ser resolvidas com estratégia técnica, não com concessões visuais.

Feito comporThiago Xikota